Quarta-feira, 1 de Março de 2006

Por d’Arcais

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VJS começa por citar uma frase de Paolo Flores d'Arcais, filósofo italiano:

"Se sentir-se ofendido garante o direito de amordaçar o ofensor, então eu sinto-me ofendido todas as vezes que um papa abre a boca."

Depois continua a citá-lo:

"Nestas últimas semanas", escreve d'Arcais, "ouvimos repetir um pouco por toda a parte: 'É preciso fazer um uso responsável da liberdade. Senão, como nos espantarmos que...' Por outras palavras, se tu brincas com coisas sagradas, és eticamente responsável pela resposta fanática que provocaste. Onde está a irresponsabilidade? Não está naqueles que, com tais raciocínios, alimentam e engordam o fanatismo? A chantagem é aceite de antemão, teorizada, interiorizada, recompensada." E quando se fala de respeitar as "diferenças", que "diferença" é que se está a proteger? - pergunta ainda D'Arcais. "Há muçulmanos que se sentem ofendidos, mas há também muçulmanos que desejariam usufruir da liberdade de expressão. Para qual destas 'diferenças' vai a nossa solidariedade? Para o jornalista da Jordânia que defendeu as caricaturas ou para o establishment que o despediu e encarcerou?"

Está aqui, onde se desmonta, com toda a evidência, esse felisteísmo cobardola de quem predomina perto e aceita outras predominâncias desde que lá (longe), resguardando-se de ver posta em causa a habitação senhorial e inerte do catolicismo dominante.

Haja deus, que, para já, há gente com olhos. E conto estes dois: d’Arcais e VJS. E outros mais, felizmente, também com coragem. Muitos mais, se contarmos os que, pelo menos, não se embrulham nesse arco conformista arrebitado que enrola Freitas até um punhado de radicais catolicistas (tementes do - homólogo - radicalismo islâmico), passando pelo tapete feito de peluches dos que se guiam pela máxima de “é ps, é bom” ou “está quieto, senão eles disparam”, mais dos que descortinam na efervescência fanática vinda das bombas e da cegueira, massas populares a caminho da revolução ou, no mínimo, contra o imperialismo.
publicado por João Tunes às 15:28
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2 comentários:
De Joo a 2 de Março de 2006 às 15:35
Com o devido respeito, ficam-me duas perplexidades - 1º) alguém diga "por acaso eu até nem costumo ler jornais regularmente", não percebendo como é que o acaso determina uma opção; 2º) como é que um "cão rafeiro" (cheira-me a nick name de quem se acha tão intelectual que se dá ao luxo de ter cartão de visita à proleta) vai ao veterinário?

No resto, até calhou estarmos de acordo.


De corafeiro a 1 de Março de 2006 às 16:18
por acaso eu até nem costumo ler jornais regularmente, porque o jornalismo que se pratica em portugal em rigor nem devia chamar-se jornalismo.
mas hoje estava eu no veterinário à espera de ser atendido, e folheei o Diário de Notícias. Achei o artigo excelente por duas razões:
1- pelo conteúdo;
2-pela honestidade intelectual que vicente jorge silva revelou na forma cuidadosa com que citou d'arcais, em vez de fazer como muito boa gente que plageia escandalosamente as ideias dos outros, mas também deixando bem claro que se revia na opinião deste, aplicando as ideias expressas por d'arcais ao contexto português.


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