Domingo, 8 de Janeiro de 2006

TRANSFORMAR O PROBLEMA EM OPORTUNIDADE

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A vantagem de Cavaco em “preferências” na abertura da campanha, é um bom sinal de tónico de vitalização para a esquerda. E talvez a esquerda até mereça e necessite deste abanão de, pela primeira vez, estar perante o alarme de um cenário em que a direita possa fazer uso e abuso de sinergia do poder em Belém e em São Bento (*).

E os 60% de Cavaco nas sondagens podem ser revertidos em factores favoráveis à esquerda. Por um lado, pode adormecer os ímpetos de empenho mobilizador da direita, contando com a vitória como favas contadas. Segundo, abanar as tendências abstencionistas na esquerda e no centro não cavaquista.

Há um número considerável de votos não decididos ou relutantes que se podem (e devem) ganhar. São eles que podem permitir a segunda volta. O pior que a esquerda poderia fazer seria tentar pescar (à linha ou com arpão) nos votos já decididos, à esquerda, ao centro ou à direita (falo, claro, da primeira volta). Esses implicam consumo de energia que fazem maior estrago que proveito, além de passarem a imagem derrotista de que o mais importante é o lugar (inútil) no podium dos vencidos. Cada fatia eleitoral ganha por qualquer um dos quatro candidatos da esquerda entre os eleitores dispostos ao “branco” ou á abstenção, unicamente esses, podem fazer a diferença e recriar a realidade eleitoral em que Cavaco navega.

É tarde demais para se bater na tecla gasta da “unidade de esquerda”. Foi chão que deu uvas. É tarde para lamentos do tempo ou oportunidades perdidas, inútil para trocas de “culpas”. Os votos que podem fazer a diferença não se encontram nos já “decididos”. As quatro candidaturas de esquerda podem e devem é, cada qual, explorando os méritos próprios de gerar consonâncias e empatias, convencer indecisos e relapsos quanto ao voto, explicando que o desconsolo da abstinência é que pode levar Cavaco até Belém. Porque, verdade esquecida, a maioria do povo é de esquerda. Pelo menos, era há pouco tempo. E será que, por passe mágico, o Professor virou tudo de pernas para o ar?

(*) – Com Cavaco em Belém, o país iria inevitavelmente concentrar-se em poderes de direita, homogenizando-se assim. Ou empurrando Sócrates ainda mais para a direita, ou, via alternativa, “cavaquizando” o PSD e levá-lo, depois, até São Bento, “cavaquizando” o país.
publicado por João Tunes às 16:38
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2 comentários:
De Joo a 9 de Janeiro de 2006 às 22:45
Como ficar em casa se esse será um dia "estragado", em que me tenho de levantar bem cedo? Lá estarei, pela madruga, numa mesa de voto como delegado da candidatura de Manuel Alegre... Tem que ser, quem não tem partido caça com gato!


De Henrique Trindade a 9 de Janeiro de 2006 às 15:38
JOÃO, JOÃO! No cenário que mostra em último lugar, o termo certo não é "cavaquizar", é ESCAVACAR. Embora seja difícil, que escavacado já ele está, com as estradas que o sr. Silva construiu sem acautelar primeiro o desenvolvimento das zonas que quiz unir aos grandes centros (veja a crítica que eu fiz no "Pulo do Lobo", respondendo a "O alcatrão também qualifica" de Francisco Mendes da Silva em http://pulo-do-lobo.blogspot.com/2005/12/o-alcatro-tambm-qualifica.html#comments). (http://pulo-do-lobo.blogspot.com/2005/12/o-alcatro-tambm-qualifica.html#comments).) Quanto a votos, NÃO FIQUE EM CASA - faça como eu - VOTE NANUEL ALEGRE! Alegres cumprimentos, Henrique Trindade


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