Quarta-feira, 25 de Janeiro de 2006

INCONTORNÁVEL (2)

capt.sge.blg56.170106211107.photo00.photo.default-398x231[1].jpg

Farto de ler os sinais de bílis esfarrapadas dos “sócrates-soaristas” mal dormidos com a infeliz escolha que fizeram (mais a “banhada” que levaram) e que, em vez de enfiarem a carapuça, tentam pendurá-la em outros, coloquei um post que teve a estulta pretensão de fechar a página eleitoral com uma síntese de despedida. Também com o ainda mais estulto desígnio de mudar de assunto por pensar que há mais vida além de Belém. Enganei-me, o fecho da tenda ainda vai demorar. E se assim é, que o seja.

O Alonso está totalmente isento do ónus da suspeição de se tratar de um “esquerdista” (digo assim porque sei que o Alonso reduz a “esquerda” aos “esquerdistas”, o que é, diga-se, um reducionismo do catálogo dos estereótipos). Pelo que escreve (não o conheço além disso), trata-se de um caso atípico de conservador católico … inteligente. E é o último atributo que faz toda a diferença. Relativamente à esquerda e à direita brutas. E o Alonso entendeu fazer uma crítica pertinente ao meu post, observando: ”Sem dúvida que foi essencialmente de esquerda a votação que o Alegre teve, o que é coerente com a própria identidade ideológica do candidato, mas parece-me redutor definir como "maioria de esquerda silenciosa" esse eleitorado. Para minha surpresa, vim a descobrir, já esta semana, muitos não esquerdistas que me disseram ter votado Alegre.”. O que é argumento a considerar se se quiser entender o que representa, sócio-politicamente, o milhão e tal de votos em Manuel Alegre.

Tive, pessoalmente, vários testemunhos que confirmam o que o Alonso disse - monárquicos, conservadores, pessoas do “centro”, hiper-valorizadores dos valores, reviram-se no discurso de Manuel Alegre e perfilharam-no como contraponto à degradação politiqueira dos candidatos partidários, transferindo para ele a orfandade pela falta de um candidato que fosse ortodoxo na representação de uma linha de valores que simbolizasse um retorno a um conceito patriota de globalização nacionalista. E, convenhamos, Cavaco, menos que um “nacional” ou “cosmopolita”, não passa sequer da imagem básica do “provinciano fura-vidas”. Digo que esta abrangência do discurso de Alegre (e ela só pode ser sincera para quem conhecer a sua obra poética), bem perceptível como contraponto ao jacobinismo cosmopolita (de raiz maçónica?) da “esquerda aparelhada” e ao “provincianismo cavaquista”, não me incomodou pois há muito penso que divisão forçada entre patriotismo (nacionalismo é outra história) e internacionalismo (a maior parte das vezes, não passando de cosmopolitismo fanatizado na frustação por um povo habituado a viajar e interagir pouco) é mais um tique que uma essência. Tudo dependendo do conceito pátrio (leiam Cunhal, está lá a receita da genial síntese “bolchevique-patriota” e que, por si, explica a inércia da persistência do “fenómeno PCP” e que é muito mais “arrepiante” que a “deriva patriótica” do discurso de Alegre).

Mas, obviamente e como o próprio Alonso reconhece, a atracção de Alegre sobre o centro e a tradição foi um fenómeno menor, uma questão de franja eleitoral. Porque o grosso da votação em Alegre proveio do eleitorado da esquerda “abrilista” (desejosa de repetir o “primeiro Primeiro de Maio” de 1974), inconformada com a inércia viciosa dos aparelhos que dominam os três partidos da velha e da nova esquerda (com maior quota de incidência, claro, entre o eleitorado socialista, inconformado com os vícios do “aparelho”, a deriva tecno-liberal do “socratismo” e o absurdo grotesco da escolha de Soares como seu candidato). Assim pensando, adopto a precisão do Alonso, embora a conversa fosse outra se tivesse havido segunda volta. Aí sim, iria revelar-se crucial a capacidade ou inépcia de fixação desse eleitorado “tradicional” atraído pelo “patriotismo” da mensagem de Alegre e em que medida ele iria compensar, ultrapassando, a deserção de votos à esquerda previsível pelos ressabiados sectários com o fracasso “socrático-soarista”, a somar ao desgaste pela incapacidade de Cavaco para responder ao esforço de uma re-prova dos seus trunfos da gestão dos “silêncios”. Mas esse cenário, infelizmente, não passa de cenário sem prova de dados. Inútil, portanto.

PS – Na boleia desta conversa com o Alonso, não percam a monumental tareia (bem merecida) que ele dá na “trapalhada justificativa” com que Vital Moreira dá provas de desorientação soarista, até no mau perder, sobretudo pela prova da incapacidade em perder (aqui).
publicado por João Tunes às 15:53
link do post | comentar | favorito
|

.mais sobre mim

.pesquisar

 

.Setembro 2007

Dom
Seg
Ter
Qua
Qui
Sex
Sab

1

2
3
4
5
6
7
8

9
10
11
12
13
14
15

16
18
19
20
21
22

23
24
25
26
27
28
29

30


.posts recentes

. NOVO POISO

. HONRA A GARY COOPER

. Efeméride ao cair do pano

. E VÃO DOIS, QUE DOIS

. AFINAL…

. DESABAFO MASOQUISTA

. Bom fim-de-semana

. CHE E AS MAMAS DA VIZINHA

. AINDA (SEMPRE) MÁRIO PINT...

. CAMILA VAI PARA A TROPA

.arquivos

. Setembro 2007

. Março 2006

. Fevereiro 2006

. Janeiro 2006

. Dezembro 2005

blogs SAPO

.subscrever feeds