Quarta-feira, 15 de Fevereiro de 2006

TOCAM OS SINOS

procis.JPG

Dedicado ao ministro Freitas do Amaral e ao seu amigo diplomata que tão bem o entende (embaixador do Irão em Portugal) e como desagravo perante um post a puxar para o blasfemo para não falar da sua inaudita inconveniência diplomática:

Tocam os sinos da torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Mesmo na frente, marchando a compasso,
De fardas novas, vem o solidó.
Quando o regente lhe acena com o braço,
Logo o trombone faz popó, popó.

Olha os bombeiros, tão bem alinhados!
Que se houver fogo vai tudo num fole.
Trazem ao ombro brilhantes machados,
E os capacetes rebrilham ao sol.

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Olha os irmãos da nossa confraria!
Muito solenes nas opas vermelhas!
Ninguém supôs que nesta aldeia havia
Tantos bigodes e tais sobrancelhas!

Ai, que bonitos que vão os anjinhos!
Com que cuidado os vestiram em casa!
Um deles leva a coroa de espinhos.
E o mais pequeno perdeu uma asa!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Vai passando a procissão.

Pelas janelas, as mães e as filhas,
As colchas ricas, formando troféu.
E os lindos rostos, por trás das mantilhas,
Parecem anjos que vieram do Céu!

Com o calor, o Prior aflito.
E o povo ajoelha ao passar o andor.
Não há na aldeia nada mais bonito
Que estes passeios de Nosso Senhor!

Tocam os sinos na torre da igreja,
Há rosmaninho e alecrim pelo chão.
Na nossa aldeia que Deus a proteja!
Já passou a procissão.

António Lopes Ribeiro
publicado por João Tunes às 15:27
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3 comentários:
De ricardo a 16 de Fevereiro de 2006 às 10:26
Pois, eu lembro-me de ouvir isto meio cantado, meio entoado, pelo tal Villaret, e que a música encantava as crianças ao ouvi-la, tal a presença da voz do inteprete. Quanto ao parelismo que invocou, já não o subscrevo ...


De Joo a 15 de Fevereiro de 2006 às 17:16
Este poema de António Lopes Ribeiro tornou-se conhecido quando declamado (não cantado) por João Villaret. E era acompanhado a piano apenas para pontuar os pontos fortes da declamação. Julgo que exista reprodução à venda da declamação de Villaret passada na RTP. O "poema" é fraquíssimo, indigente até, mas a declamação por Villaret mostra o que um grande actor e declamador pode fazer a partir de uma grande treta. Mas a minha trasncrição dispensa Villaret, não lhe quer a mistura do seu génio, porque a dedicatória pretendida do post é só pelo "poema"... Ministro e Embaixador não merecem mais.


De ricardo a 15 de Fevereiro de 2006 às 15:51
Não me arranja a música dessa letra? Acho que era interpretada pelo João Vilaré.


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