Quinta-feira, 16 de Fevereiro de 2006

Pedro Pires

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A reeleição de Pedro Pires como Presidente de Cabo Verde, a par do igual sucesso de Nino Vieira na Guiné-Bissau, mais a eleição de Guebuza em Moçambique, não contando com o caso de Dos Santos que parece gostar mais de petróleo e de diamantes que de papelinhos nas urnas, independentemente dos juízos sobre estas personalidades, tão diferenciadas entre si, demonstra como, passados trinta anos sobre a descolonização, as elites consideradas nas antigas colónias portuguesas ainda são as formadas no caldo político-militar da guerrilha contra a ocupação armada dos portugueses. Ou seja, embora pela via simétrica do anticolonialismo, a “herança portuguesa” persiste em África mesmo que como sinal de antinomia. Dando que pensar como é ainda inviável a emergência, nestes países, de uma outra elite - “civilista” e suficientemente poderosa e cultivada nos assuntos de Estado além da cultura militar-guerrilheira e da recomposição geoestratégica.

Do ponto de vista histórico e pelo lado português, é esta a triste ilação. A de que foram estas as únicas elites africanas que fomos capazes de formar no projecto remendado e aldrabado de “criar novos brasis” – os quadros guerrilheiros com quem dialogámos (e formámos a combaterem-nos) pelo tiro e pelo napalm.
publicado por João Tunes às 16:20
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5 comentários:
De Joo a 16 de Fevereiro de 2006 às 23:44
Equilibradas as coisas, esclarecido o que havia a esclarecer, há pano para mais mangas. Lá iremos, proximamente. E a noite (as noites) ainda é (são) uma criança. Saudações democráticas.


De Susana Bs a 16 de Fevereiro de 2006 às 22:57
lapso terrível: queria dizer "nada inamistoso"!


De Susana Bs a 16 de Fevereiro de 2006 às 22:56
Nada amistoso, pelo menos na intenção, injusto acho que não, apressado, talvez. Treslido,parece-me agora que sim.
Entendi que o post era crítico, levada por uma leitura rápida que foi correndo mal (talvez se tivesse lido duas vezes, a impressão se tivesse esbatido, mas apenas reli duas vezes as frases qeu me causaram espanto). Diz-se (entendi) que não há renovação suficiente das elites, eu vi nisso uma crítica que acumulava; coloca-se num enfiamento que agora vejo que não era total o PP, o Nino e o ESantos e com diamantes, eu estendi a ideia de venalidade aos outros anteriores (ao PP, do qual não tenho de maneira nenhuma essa ideia). A ideia de estar a ser feita uma crítica foi reforçada pelo último parágrafo, que refere, a "triste ilação", pelo lado português.A palavra "paulada", que utilizei,foi o toque humorístico, mas aparentemente funcionou mal, para tornar tão pouco áspera quanto possível a minha crítica.

Mas o mestre foi demasiado severo: eu, mesmo pensando que havia crítica injusta a CV, adocei chamando ao que vinha fazer um "pequeno refilanço".
Já li o post três vezes e já li o ralhete. Posso tirar as orelhas? :). Se sim, peço agora que releve a minha imprecisão, que vejo ter havido.
Quanto ao racismo, não sei. Os badius são pretos e mandam.
E fico muito satisfeita de ter lido mal o post, claro.


De Joo a 16 de Fevereiro de 2006 às 22:28
Comentário absolutamente apressado, injusto e inamistoso. A pressa na pistolada não terá ajudado à leitura. Não há uma letra sequer no meu texto de "paulada" a Cabo Verde. Se tivesse "poder professoral", que não tenho nem quero ter, obrigava a Susana a ler trinta vezes o post e depois meter umas orelhas a condizer. O que registei foi uma perplexidade perante a manutenção da supremacia das elites guerrilheiras, passados 30 anos após o fim do colonialismo. E sobre as conexas responsabilidades, julgo que fui bem claro. Têm tempo largo, registado na blogosfera, muito antes de a Susana aqui chegar, a minha admiração para com Cabo Verde e a enorme vontade de vencer, pela cultura e pelo saber, o subdesenvolvimento e as heranças. E nunca fui turista em Cabo Verde, trabalhei lá com colegas caboverdianos e irmanados a fazer Cabo Verde avançar. E a alta apreciação pela sua capacidade de adopção da rotatividade democrática, invulgar no panorama africano. O que não me impede que me espante e indigne que a sociedade caboverdiana prolongue uma inaceitável estratificação social-racista que é, a meu ver, a sua nódoa negra (veja quem é poeta, político, embaixador, presidente, ministro, director-geral, professor, quadro de empresa; veja quem é operário, camponês, estivador e quem extrai o "grogue" da cana; veja quem canta e quem pinta; veja quem é prostituta). Um que até bebeu um copo extra de tinto por Pedro Pires ganhar ao Carlos Veiga. Ora!


De Susana Bs a 16 de Fevereiro de 2006 às 21:57
Embora talvez eu tivesse achado mais piada se o Carlos Veiga tivesse ganho as eleições, não posso deixar de entregar aqui a um pequeno refilanço com a paulada que o post aplica em CV. Por muito, também, que adira à crítica ao que este pobre e quase improvável país (não) fez como potência colonizadora e ex-colonizadora, não havíamos de lembrar que CV é o país africano com melhor posição no índice de desenvolvimento humano (tendo subido, se não me falha a memória, para o 100º lugar na tabela - enquanto Pt, por acaso, até desceu)? E que as instituições democráticas de lá vão funcionando não significativamente pior do que cá (se é que)?


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